.. e assim saudou os seus convidados, mostrando-lhes um dos seus maiores segredos, ele próprio.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

o Sentimento

Aos poucos foi sentindo algo crescer dentro dele. Por detrás de tanta ausência surgia o sentimento de vazio, um sentimento apertado de ansiedade. Apoderava-se da sua concentração, e distraindo de tudo o resto, arrastava-o para um plano familiar. Não havia forma de saber se tudo aquilo seria certo ou prejudicial, mas somente uma coisa o faria regressar ao solo. Uma presença, uma palavra, um rosto.

Temendo-se a si mesmo, decidiu julgar o seu sentimento de saudade.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

um Louco

Ansiando os sonhos, fechou os olhos e ouviu a melodia calma que corria pelo vento vindo de longe.
Tentou desvendar de onde vinha tal inspiração melódica mas, sem qualquer conclusão, perdeu-se no sabor meigo de cada uma daquelas palavras que surgiam docilmente no seu pensamento. Escutava cada nota sentindo algo palpitar dentro dele, antecipando o futuro do que parecia mais que uma simples melodia perdida pelo sopro do presente.
Materializava cada momento até que por fim caiu num sono profundo.
A melodia, essa, transformou-o em algo fisicamente nulo mas mentalmente imenso. Todo ele se tornara plano de fundo, de cor branca, onde o horizonte imergia sobre água translucida indefenindo o seu fim.
O bater de cada onda, recordava-lhe o calor das palavras que o vento outrora lhe dissera.

Criador do seu mundo, converteu-se em agua e imergiu nas ondas tentando encontrar de onde surgira tais palavras.
No fim, e perdido num sentimento de plena libertação e harmonia interior julgou-se um louco.

Só os loucos emergem em si próprios, pensou, imergindo cada vez mais perto do seu destino.

Imaginarmos um linha não é difícil, basta reflectir.
Imaginar-mo-nos nessa linha não é difícil, basta sonhar.
Sonhar não é difícil, basta sermos loucos..

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

um Elo

De sonho em sonho, ele apercebe-se do que demais pensa, do que o preocupa mais. Olha o novo dia prevendo as alegrias e desilusões, seguindo a linha da sua intuição e sentindo o seu caminho aparecendo sobre os pés. Um destino outrora desenhado pelo seu corpo e mente, tão certo como tudo o que olha. Uma folha onde cada espaço vazio vai-se preenchendo de cor.
Vagueia por ruas desertas com as mãos cheias de chagas passadas e ansiedades dum novo caminho. Cada passo dado mata uma dor e rejuvenesce  um novo ser dentro dele.
Cria assim, um Elo de ligação entre o corpo e a mente, iludindo assim a realidade  que se mostra nos olhos de quem nada quer ver, nada sente e nada cria.

"A cidade está deserta, e alguém escreveu o teu nome em toda a parte. Nas casas, nos carros, nas  pontes, nas ruas. Em todo o lado essa palavra repetida ao expoente da loucura!
Ora amarga! Ora doce! Para nos lembrar que o amor é uma doença,
Quando nele julgamos ver a nossa cura! " 

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

o Sono

Após um imenso sono, ele acordou e ergueu-se novamente. Acordado de um sono profundo sentiu-se novamente vivo e mais uma vez, sonhador. A sua memória já o tinha feito esquecer a simplicidade da beleza da Natureza. Das cores que pairavam sobre o solo molhado, das manhãs que crescem com toda a sua força. Do infinito dos céus, onde telas vivas se enchem de figuras feitas de nuvens. Um simples olhar e algo se despertou naquele que foi tomado pelo sono da rotina.
Encheu os seus sentimentos de azul e olhou os grandes mares a baterem ondas em silencio, espalharem água pela areia esquecida, e a renovarem o branco da alma dos que no sono profundo ainda se mantêm.
No horizonte a luz batia na água iluminando um reflexo turvo e incerto.

O elo estava estabelecido, e a Lua, essa segredava-lhe novamente..

segunda-feira, 20 de junho de 2011

o Acaso

No alto pairava uma luz guiadora que brilhava mais forte do que o normal. O mar, esse rebentava em forma de pequenas ondas, umas atrás de outras, cada uma delas, lutando pela ânsia de um renascimento. Tocavam na margem e enrolavam-se de novo pelos mares esperando uma nova oportunidade para se mostrarem na sua mais corajosa e testemida forma. Dançavam pelo silencio num palco iluminado pela grandeza de uma magia. Uma dor imensa foi escrita em cada uma delas, levando para o imenso mar segredos guardados em chaves de ouro. Lágrimas salgadas voltaram ao seu lugar de origem e um silencio rompeu a força dos ventos que sopravam naquele lugar.
Foi então que o ar denso dum horizonte remoto encheu-se de um grito de passados longínquos. Nada se compara com a energia das palavras entoadas num sincero desespero pela reflexão do destino.

 Nada acontece por acaso e o acaso, esse preenche-nos de sorrisos misteriosos.

O que a vida nos traz o acaso faz esquecer..

sábado, 18 de junho de 2011

os Passageiros

Numa dança pelo silêncio, entre respiros ofegantes, revela-se uma insegurança no agir. Receio do que pode estar certo ou errado, esquecendo o que realmente sentimos perante a razão de termos acordado para mais um dia rotineiro. Com olhos cerrados na rotina de todos os dias, as acções são tomadas com precaução enchendo-nos de remorsos no final de cada hora em que tomamos consciência da nossa razão.
Preenche-mo-nos então duma possível reflexão sobre a mudança do nosso espírito. O porquê do medo, o porquê do acelarar do coração, o porquê do pacifismo inexplicável dentro de nós. Mudanças essas que ocorrem inesperadamente e involuntariamente ao nosso ser, ao nosso pensamento. Somos os passageiros duma viagem não nossa, não pessoal, mas sim comum a todos nós. Se trememos mostramos insegurança, se amamos mostramos renascimento, se sentimos mostramos vida.

Cravamos as nossas raízes em terra firme e vivemos daquilo que sonhamos porque sonhar é mais que viver, é sentir a vida crescer por nós.

Maktub..

terça-feira, 17 de maio de 2011

um Escuro Negro

E um dia acordou, após um sono curto e pesado, com um pensamento tão seco como vazio. Tal pensamento imerso de um escuro negro, que o afastou da única realidade em que vivia. Um fogo fulminante possuiu-lhe todo o ser, tornando-o numa sombra sem qualquer linha ou forma. Assim ficou durante dias. Foi seguindo o que ouvia, uma voz monótona sem qualquer tipo de alteração no seu tom, que surgia do seu lado direito da consciência. Certo que estaria no sitio certo, à hora certa foi-se sentindo cada vez mais fraco. Cada vez mais errado. Não queria acordar de um sono ao qual não sabia o principio e por mais difícil que podia parecer havia que cair para mais tarde se levantar, sentindo cada vez mais forte essa queda. Pensando bem, quanto mais era o sofrimento que antecipava sentir, mais vivo se sentia, pois como todo o ser humano, ele procurava a dor para mais se sentir. Para mais se olhar.
Desta vez era diferente.. Desta vez era uma dor forte que o possuía lentamente sem deixar qualquer tipo de marca ou rasto no seu caminho. Cada vez mais alto, aquela voz que lhe sussurrava do lado enfermo do seu consciente, ecoava de forma tão agressiva que o tomava nas mais calmas situações. Após algum tempo passou a adorar o frio, o alto das montanhas, assim como a força das marés, que outrora o assombravam nos sonos profundos. Deixou de olhar com desejo todo aquilo que o comovia, ficando com um vazio no olhar, como um cessar de um fogo posto. Foi perdendo aos poucos o seu reflexo e nas águas, onde outrora se apaixonou, somente permanecia a sombra que o passado dava lembrança.

Quem sou eu?

Perguntou em voz alta, latejando em lágrimas. Por um curto momento, sentiu uma brisa a correr-lhe o corpo e a sua mente respondeu-lhe.

Tu és o que juras não ser. O que te lembras de esquecer. És o que eu sou. E eu .. Eu sou o pedaço que te falta para te completares. Para dares fim ao que inicias-te à muito.

Sentiu cada grão de areia correr-lhe pelos dedos, provou o sal que lhe beijava os lábios e sorriu. Quando fechou os olhos para ouvir as marés adormeceu com as palavras, Tiveste o mundo a teus pés e agora tens me a mim...

sexta-feira, 13 de maio de 2011

a Força interior

Cavaleiro toda a vida, carregou o seu elmo e a sua armadura de bronze, sentindo o peso em cada rumo que seguia,  conheceu cada canto do hemisfério. A sua espada, de dois gumes, escondida por detrás da sua bainha, jamais deteriorar-se-ia pois fora feita uma promessa. "Não a usarás em vão e jamais a deixarás deteriorar dentro da sua bainha..". Cada vez que o Cavaleiro erguia a sua espada sabia que faria o correcto, pois qualquer hesitação levaria-o a sofrer o resto da sua longa caminhada. Lembrava-se então de cada palavra  do seu mestre e erguia os dois gumes com toda a sua força interior, observando em cada gesto, cada um deles. No final, somente um estaria coberto do sangue derramado e revelaria então, se foi justamente manchado ou não.

O Cavaleiro conhecia o sentido de culpa que outrora se pesou nas suas costas. Era um fardo muito pesado para se tornar companhia durante toda a sua viagem. Pensou que cada acção teria que ser calculada e repensada para que nenhum dos passos a seguir  fosse o incorrecto. Assim se prendeu a algo que não o deixou seguir a intuição e aos poucos foi perdendo tudo. A sua alma estava a ficar vazia de tanto pensamento. Agia não por vontade ou por impulso de intuição mas sim pelo que considerava correcto e justo.

Após uma terrível batalha em que vira a sua vida quase perdida em mais um campo verde onde a Natureza se apresentava na sua forma mais bela, caiu no chão e chorou. Chorou pela pouca vontade de continuar a lutar por algo que já não percebia. Por algo que já não concordava. Viu-se num imenso espaço vazio onde a sua presença era quase insignificante. Então percebeu que o correcto não é agir através de planos estrategicamente vitoriosos, ou mesmo agir com a segurança que o inimigo não conseguia sequer alcança-lo. Após tanta segurança, tantos planos e estratégias ele estava ali, deitado a chorar por algo que já não conhecia.

Respirou fundo e levantou-se. Ergueu a cabeça ao imenso céu e disse, correcto foi a vontade de chorar. Correcto é o que não consigo controlar em mim, pois é a minha natureza. Correcto é este paraíso que pisamos.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

um Eterno Teste

Por terras distantes ele caminhou. Observou o imenso vazio ao qual chamou de céu, tocou o frio de cada rocha que, perdida se encontrava a seu caminho, sentiu a leve brisa dos ventos fortes que, rasgam trilho após trilho até se encontrarem, e, num silencio fraco de luz, sonhou com os seus passados.
De tempo em tempo, foi recordando cada dia que outrora foi vivido, risos e medos, promessas e choros. Num grande silencio sentiu apertos que o forçavam a olhar cada vez mais para trás e reflectir no seu caminho. Subiu montanha após montanha e sentou-se numa pedra firme à terra, tão pesada de passado quanto ele, e sorriu. Foi aí que se apercebeu de que o tempo é mera distracção, um eterno teste que nos faz tentar esquecer o que mais eterno temos em nós, e o mesmo eterno que morre connosco, nós mesmos. Tal como aquela pedra fria e perdida no meio de tantas semelhantes, ele sentiu-se imerso de recordações. Com o vento a soprar cada palavra que dizia, ouviu-se a quebrar um silencio que lhe parecia duradouro.
Sobre um manto de estrelas ele declamou o que demais sentia, e mais uma vez, o tempo mostrou-se entre cada uma daquelas pequenas estrelas fazendo-o desviar o olhar daquilo que sentia.
Nesse instante, ele prometeu jamais olhar o tempo que nos faz quebrar o que somos e o que queremos.

Nesse instante, caminhou com a coragem do presente e a sabedoria do passado.

domingo, 24 de abril de 2011

uma História

O que chove molha aquilo que és e não vês. Alaga-te o passado transbordando de incertezas e mistérios, o que hoje pensas ser real. Faz-te vaguear por um céu imenso, carregado de negro que recordas aos poucos, ao qual julgas teu. Sentes cada pingo que te cai no rosto e acreditas que cada um te lava o corpo e mente, deixando-te puro e num estado libertino que te obriga a escolheres outro dos muitos caminhos rumo ao passado. Não fosse esse passado tu mesmo, deixando em cada traço da palma da mão uma história a recordar.
Hoje deixa chover para alagar cada canto escondido dentro de ti.

No fim vais limpar o que restou e completares mais um ciclo. Mais uma página. Mais uma desculpa para que mais dias de chuva se anunciem.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

uma Transformação

Olhas o mundo em sépia e vives o presente como se já se tornasse passado. Baloiças entre o presente e o passado mas sabes que onde estás sentado todos chamam de futuro. E não passa de um espaço amplo onde largamos as nossas esperanças. Como um campo reparado para uma plantação cuidada de expectativas e virtudes, à espera de um olhar, uma atenção, que o faça florescer e crescer num silencio raro de vida.
Aguardas essa transformação com toda a impaciência imersa no ter pensamento.

No fim, esse futuro não é mais que um apontamento, e o percurso que trilhamos não passa de uma lembrança pois novas mudanças se avizinham e outro futuro curto nos espera. Tudo passa rápido ao nosso olhar. Tudo acontece em segundos, e em segundos já perdemos toda a memória.

O futuro caminha sempre ao nosso lado e por vezes dá-nos a sua mão. Nesse momento vivemos o Presente.

sábado, 2 de abril de 2011

a Loucura

O medo consome-te cada vez que vês uma sombra por perto. Cada vez que a tua luz se sente ameaçada por uma lenta aparição do vazio que se expõe à medida do que vês. O teu respirar contrai-se pela sede de não saber o que irá acontecer no momento seguinte, e quando de perto te apercebes que o vazio te consome, gritas.

Nesses segundos falta-te a voz e nada te ouve senão tu mesmo. No silencio ouves-te a pedir para continuares na luz que já se desvaneceu na tua visão. Cego e sem voz, sentes-te fluir na tua própria energia e alcanças o que muitos chamam de loucura. Um estado profundo em que a insanidade domina qualquer impulso fraco que surja no exterior do teu corpo. Mostras-te por detrás do que te escondes e surge um novo Tu.
Despido de preconceito ou qualquer conceito de moral, inteligência ou sentimento. Somente o que resta de alguém que nada vê, nada grita e nada ouve. Somente o que esperas num vazio tão pequeno quanto tu mesmo.

Num espaço indeterminado conheces-te como nunca.

terça-feira, 29 de março de 2011

um Pensamento

Foge, foge que eu já te vi..
Foge porque senão vou-te puxar.E não te quero puxar para mim. Não quero pisar esse chão abalado pela ideia de não o ser. Não ser algo que tenciono ser, desejo ser, luto para o ser.

Sou frágil demais para o silêncio, frágil demais para mim e forte demais para ti. Talvez tal forte que crie alguma barreira onde não consigas penetrar a voz e eu a oiça. Talvez isso, talvez tu.

Não sei o que pensar e pensar não me agrada no sentir. Vou olhar e chorar talvez. chorar no fim ou no principio, tudo tem os dois lados, até o pensamento..
Num lado tu, do outro a tua ausência, saudade do sorriso, do calor e do abraço que se rompe no silencio.

sábado, 26 de março de 2011

o Reflexo

Tentas olhar um espelho que não é teu. Pintar algo que não vês. Sentir algo que desconheces.
Observas um reflexo que não o teu, e tudo o que vês são memórias do que um dia sonhaste ter. Um vazio preenchido por algo que te enche de mudanças súbitas ao qual chamas de dia-a-dia. Mudanças que te fazem acordar para mais um dia tão vulgar como outro qualquer.
Vês te num espaço ocupado e sentes vontade de gritar o teu nome para que todos te reconheçam como nunca antes reconheceram. Um grito mudo, que pintas em volta de tudo o que te rodeia e num imenso silencio onde vagueias, se faz ouvir e te faz sair do teu pequeno grande mundo de ouro. A solidão que pensas viver, não passa duma máscara que usas sempre que o acordar corre mal e te faz pensar que cegas na altura de caminhar.

Mesmo que esse reflexo não seja o teu, ensina-te a seres como és e não como te vêem.
Os olhos não conhecem, lembram-te o que outrora conheces-te ou deste a conhecer.

quinta-feira, 24 de março de 2011

o Jardineiro

Se largas a mão é pela divina manifestação do amor.

A libertação do espírito cujo raciocínio não entende mas o coração sente. Amar não é guardar .Amar é observar, deixar crescer e sentir toda essa mudança. Podemos amar a luar e o sol mas, só desta forma o conseguimos fazer de verdade.os verdadeiros amantes da libertação são os Jardineiros que se dedicam aos campos e jardins, observando, sentindo e amando o crescimento da Natureza em seu redor. Assim como nós que amamos a Natureza, também Ela o faz e da mesma forma se manifesta, acompanhando o nosso crescimento. Este é o elo mais forte em toda a existência do amante, e a forma mais pura e sincera de mostrar o amor.
Quantos artistas se inspiraram Nela, nos mais profundos quadros durante épocas? A quantos não deu o nome de poetas ao ser descrita em linhas loucas. Ela e mais nada nos dá vida e a recupera em tempos. A nossa única função será, no momento em que Ela volta para nos tirar a vida, reflectir no que de bom fizemos e que ligação estabelecemos com a mesma.

Só assim nos abraça para uma nova vida.

quarta-feira, 23 de março de 2011

um Percurso

Qualquer destino entende um longo percurso. Um percurso sábio e imenso de constante aprendizagem em cada passo dado. O percurso delineia o quanto o destino será glorioso e enriquecedor. O destino,esse, será a recompensa prometida, o que pára no ar quando a chegada está ao alcance da nossa vista e a poeira do caminho nos empurra os pés para a frente.

Fecho os olhos ao que todos  vêem, o correcto e incorrecto, e ajo de forma natural, sem julgar qualquer atitude, mostrando aos que tudo vêem o quanto nada sentem.

Porque olhos atentos não são olhos rotineiros.