O medo consome-te cada vez que vês uma sombra por perto. Cada vez que a tua luz se sente ameaçada por uma lenta aparição do vazio que se expõe à medida do que vês. O teu respirar contrai-se pela sede de não saber o que irá acontecer no momento seguinte, e quando de perto te apercebes que o vazio te consome, gritas.
Nesses segundos falta-te a voz e nada te ouve senão tu mesmo. No silencio ouves-te a pedir para continuares na luz que já se desvaneceu na tua visão. Cego e sem voz, sentes-te fluir na tua própria energia e alcanças o que muitos chamam de loucura. Um estado profundo em que a insanidade domina qualquer impulso fraco que surja no exterior do teu corpo. Mostras-te por detrás do que te escondes e surge um novo Tu.
Despido de preconceito ou qualquer conceito de moral, inteligência ou sentimento. Somente o que resta de alguém que nada vê, nada grita e nada ouve. Somente o que esperas num vazio tão pequeno quanto tu mesmo.
Num espaço indeterminado conheces-te como nunca.
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