.. e assim saudou os seus convidados, mostrando-lhes um dos seus maiores segredos, ele próprio.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

um Eterno Teste

Por terras distantes ele caminhou. Observou o imenso vazio ao qual chamou de céu, tocou o frio de cada rocha que, perdida se encontrava a seu caminho, sentiu a leve brisa dos ventos fortes que, rasgam trilho após trilho até se encontrarem, e, num silencio fraco de luz, sonhou com os seus passados.
De tempo em tempo, foi recordando cada dia que outrora foi vivido, risos e medos, promessas e choros. Num grande silencio sentiu apertos que o forçavam a olhar cada vez mais para trás e reflectir no seu caminho. Subiu montanha após montanha e sentou-se numa pedra firme à terra, tão pesada de passado quanto ele, e sorriu. Foi aí que se apercebeu de que o tempo é mera distracção, um eterno teste que nos faz tentar esquecer o que mais eterno temos em nós, e o mesmo eterno que morre connosco, nós mesmos. Tal como aquela pedra fria e perdida no meio de tantas semelhantes, ele sentiu-se imerso de recordações. Com o vento a soprar cada palavra que dizia, ouviu-se a quebrar um silencio que lhe parecia duradouro.
Sobre um manto de estrelas ele declamou o que demais sentia, e mais uma vez, o tempo mostrou-se entre cada uma daquelas pequenas estrelas fazendo-o desviar o olhar daquilo que sentia.
Nesse instante, ele prometeu jamais olhar o tempo que nos faz quebrar o que somos e o que queremos.

Nesse instante, caminhou com a coragem do presente e a sabedoria do passado.

1 comentário:

  1. E é a natureza sempre a mais fiel mestra, se a rocha no faz aprender com o passado e o vento trás a coragem de olhar o céu, e se soubermos ser humildes para sentir a força desta simplicidade, temos a força para mais um dia...

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