.. e assim saudou os seus convidados, mostrando-lhes um dos seus maiores segredos, ele próprio.

domingo, 12 de junho de 2022

a indecisão

Uma indecisão o toma, um peso no corpo e uma sombra na alma. Em volta ele vê com amor o que o rodeia, o que o prende naquele lugar. Mas o chão que pisa, esse por vezes arde. Queima-lhe a pele lançando-o para uma questão difícil. a indecisão de permanecer naquele espaço ou percorrer mais um caminho desconhecido. Indecisão toma-lhe a alma e o pensamento, não existe calma nesse espaço, nao existe paz nesse espaço. O confronto dá-se e não é possível ver o seu desfecho. Carrega a vontade e a responsabilidade de ser feliz, mas o peso do chão debaixo dos seus pés é grande. Sente como se andasse num campo seco, aberto , em que a qualquer momento uma pequena faísca pode fazer arder todo aquele terreno, queimando-o num lápide. O corpo está fraco, a mente cansada e o fardo é pesado.
Permanece no mesmo sítio, imóvel, sem saber o que lhe traz paz. O pensamento divaga entre passado e futuro e não consegue tocar no presente. 

Não existe nada aqui, não existe ninguém aqui. E talvez seja o melhor. Um vazio sem dimensão, sem limites. Como o vazio deve ser. Do tamanho de tudo, do tamanho do nosso ser. Esse é o equilíbrio, esse o sentido. Um caos para dar à felicidade o seu verdadeiro significado.

Não é incapacidade, é vontade. Deixar a terra queimar até não existir mais nada, mais ninguém. O presente está apenas de caminho. 

Todo o caminho tem um princípio,meio e fim.

sábado, 28 de maio de 2022

a incompreensão

Sobre a água ele vê um reflexo de alguém que não tem a certeza conhecer. Sobre a água ele vê o reflexo do que ele ambiciona conhecer. Uma visão turva, sem cor, que o consume. Pensa não conhecer aquele reflexo, aquele futuro ou presente longínquo. Ele procura uma forma, um traço , que lhe traga algum significado, alguma memória, alguém. Sabe que não pode desistir, está ali a resposta. Ali vai encontrar aquilo que pocura, o caminho, a direção, no seu percurso que á muito lhe fugiu dos pés. 

Sente-se perdido. 

A imagem aos seus olhos, reflexo longe de ser compreendido, não se mostra por completo. Nem mesmo na tranquilidade e equilíbrio que a água faz sentir. 

 Então ele bebe, bebe a incompreensão e aceita aquela imagem que o perturbava. Serei o que não consigo ver, serei o que não consigo compreender, pensa. Apenas e só naquele momento, ele reconhece a pessoa que foi, aquilo que lhe dói, a mudança que o tempo lhe dará. 

Tempo, tão curto e tão necessário. Tão pouco e tão desperdiçado.