.. e assim saudou os seus convidados, mostrando-lhes um dos seus maiores segredos, ele próprio.

sábado, 28 de maio de 2022

a incompreensão

Sobre a água ele vê um reflexo de alguém que não tem a certeza conhecer. Sobre a água ele vê o reflexo do que ele ambiciona conhecer. Uma visão turva, sem cor, que o consume. Pensa não conhecer aquele reflexo, aquele futuro ou presente longínquo. Ele procura uma forma, um traço , que lhe traga algum significado, alguma memória, alguém. Sabe que não pode desistir, está ali a resposta. Ali vai encontrar aquilo que pocura, o caminho, a direção, no seu percurso que á muito lhe fugiu dos pés. 

Sente-se perdido. 

A imagem aos seus olhos, reflexo longe de ser compreendido, não se mostra por completo. Nem mesmo na tranquilidade e equilíbrio que a água faz sentir. 

 Então ele bebe, bebe a incompreensão e aceita aquela imagem que o perturbava. Serei o que não consigo ver, serei o que não consigo compreender, pensa. Apenas e só naquele momento, ele reconhece a pessoa que foi, aquilo que lhe dói, a mudança que o tempo lhe dará. 

Tempo, tão curto e tão necessário. Tão pouco e tão desperdiçado.

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