Sobre a água ele vê um reflexo de alguém que não tem a certeza conhecer. Sobre a água ele vê o reflexo do que ele ambiciona conhecer. Uma visão turva, sem cor, que o consume. Pensa não conhecer aquele reflexo, aquele futuro ou presente longínquo. Ele procura uma forma, um traço , que lhe traga algum significado, alguma memória, alguém. Sabe que não pode desistir, está ali a resposta. Ali vai encontrar aquilo que pocura, o caminho, a direção, no seu percurso que á muito lhe fugiu dos pés.
Sente-se perdido.
A imagem aos seus olhos, reflexo longe de ser compreendido, não se mostra por completo. Nem mesmo na tranquilidade e equilíbrio que a água faz sentir.
Então ele bebe, bebe a incompreensão e aceita aquela imagem que o perturbava. Serei o que não consigo ver, serei o que não consigo compreender, pensa. Apenas e só naquele momento, ele reconhece a pessoa que foi, aquilo que lhe dói, a mudança que o tempo lhe dará.
Tempo, tão curto e tão necessário. Tão pouco e tão desperdiçado.
Sem comentários:
Enviar um comentário