.. e assim saudou os seus convidados, mostrando-lhes um dos seus maiores segredos, ele próprio.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

uma Doença

Num conforto estranho que o rodeava traçou mais um passo que o fez tremer no receio alojado há muito na sua mente. Um fundo sombrio deixando todos os limites invisíveis aos seus olhos nus.

Uma sombra capaz de apodrecer qualquer vida, qualquer réstia de luz, qualquer palpitação. Algo capaz de mudar qualquer pessoa, capaz de crescer dentro de nós como se algo nosso, e romper caminho até atingir o seu destino levando o que de nós restou.


O amor é uma Doença, dizia ele. Uma doença que nos corroí até não haver mais nada, vazios e perdidos num trilho desconhecido, embora familiar.

O amor não é o principio, o amor é sim o fim.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

num Deserto

Sobre uma areia quente ele acordou dum sonho que parecia ter durado uma vida. Uma vida cheia de passado, sombras desfiguradas e esperanças alcançadas. Sobre uma areia quente ele despertou novamente e ergueu-se assentando os pés descalços sobre solo vivo. Prometeu jamais olhar para trás porque atrás dele ergue-se algo negro que o acompanha sempre.
Com os pés bem assentes no presente ele segue o seu caminho entrelaçando o presente no futuro. Sorri mais uma vez a quem o saúda. Num Deserto quente e vasto ele ouve novamente o silencio calmo do vento e o ferver o sol que lhe aquece o corpo. Uma vez mais ele corre no mesmo trilho. Uma vez mais ele escreve nas linhas que traçou à tempos, nas linhas onde a sua historia ficou marcada para amanhã relembrar.

Não se pode percorrer um rumo que não o nosso. Temos que nos encher do presente e respirar o ar que percorre o nosso futuro.

"A paz vem de dentro de ti mesmo. Não a procures à tua volta."
 Buddha


sábado, 21 de janeiro de 2012

tempo demais

Uma fuga comum a todas as suas fugas, deixou-o longe de tudo. Longe do seu corpo durante tempo demais, uma sombra que o fez desaparecer do pensamento. Uma sombra que não deixou passar qualquer luz, escondendo tudo da visão. Apagando qualquer rasto de vida.

Um olhar fechado e vazio, tempo demais para se aperceber da cegueira que o consumia dia após dia.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

um Ritual

Depois da tempestade vem a bonança, dizem os que o presente julgam pressentir, quando nem o chão que hoje pisam sabem sentir. Sentir o solo molhado dum passado recente, sentir o vento que traz palavras esquecidas num jogo de sombras, e o turbilhao confuso duma onda perdida num imenso mar que nos encontra e julga ser nosso.
Os pesos estão equilibrados na balança e estamos nós dum lado em contra peso a uma vida cheia.
Se sorrirmos pesamos o Futuro e saimos vitoriosos numa guerra interior, em que só um sai de cabeça erguida. O Passado e o Futuro caminham sempre de mãos dadas e ensinam-nos a viver o Presente.
O Futuro é hoje. O Futuro é onde quisermos, onde estivermos a dedicar o nosso Presente. Um sorriso determina o nosso Futuro. Qualquer desilução nao será jamais entendida como fracasso do Passado, mas sim um obstaculo a vencer.
Uma queda para nos sabermos levantar.
Erguemos a cabeça vezes sem conta, pois não nos damos pelas quedas nem aprendemos o porque das mesmas, tornando o nosso erguer de alma um Ritual rotineiro.

Qualquer fuga a uma queda prevista será compensada pela forma como sentimos o solo debaixo de nós. Enchemos a boca de areias passadas ou agarramos a lama pisada por nós.

É a nossa escolha que importa, sozinhos decidimos e sozinhos tornamos forte o nosso Futuro.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012