.. e assim saudou os seus convidados, mostrando-lhes um dos seus maiores segredos, ele próprio.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

um Eterno Teste

Por terras distantes ele caminhou. Observou o imenso vazio ao qual chamou de céu, tocou o frio de cada rocha que, perdida se encontrava a seu caminho, sentiu a leve brisa dos ventos fortes que, rasgam trilho após trilho até se encontrarem, e, num silencio fraco de luz, sonhou com os seus passados.
De tempo em tempo, foi recordando cada dia que outrora foi vivido, risos e medos, promessas e choros. Num grande silencio sentiu apertos que o forçavam a olhar cada vez mais para trás e reflectir no seu caminho. Subiu montanha após montanha e sentou-se numa pedra firme à terra, tão pesada de passado quanto ele, e sorriu. Foi aí que se apercebeu de que o tempo é mera distracção, um eterno teste que nos faz tentar esquecer o que mais eterno temos em nós, e o mesmo eterno que morre connosco, nós mesmos. Tal como aquela pedra fria e perdida no meio de tantas semelhantes, ele sentiu-se imerso de recordações. Com o vento a soprar cada palavra que dizia, ouviu-se a quebrar um silencio que lhe parecia duradouro.
Sobre um manto de estrelas ele declamou o que demais sentia, e mais uma vez, o tempo mostrou-se entre cada uma daquelas pequenas estrelas fazendo-o desviar o olhar daquilo que sentia.
Nesse instante, ele prometeu jamais olhar o tempo que nos faz quebrar o que somos e o que queremos.

Nesse instante, caminhou com a coragem do presente e a sabedoria do passado.

domingo, 24 de abril de 2011

uma História

O que chove molha aquilo que és e não vês. Alaga-te o passado transbordando de incertezas e mistérios, o que hoje pensas ser real. Faz-te vaguear por um céu imenso, carregado de negro que recordas aos poucos, ao qual julgas teu. Sentes cada pingo que te cai no rosto e acreditas que cada um te lava o corpo e mente, deixando-te puro e num estado libertino que te obriga a escolheres outro dos muitos caminhos rumo ao passado. Não fosse esse passado tu mesmo, deixando em cada traço da palma da mão uma história a recordar.
Hoje deixa chover para alagar cada canto escondido dentro de ti.

No fim vais limpar o que restou e completares mais um ciclo. Mais uma página. Mais uma desculpa para que mais dias de chuva se anunciem.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

uma Transformação

Olhas o mundo em sépia e vives o presente como se já se tornasse passado. Baloiças entre o presente e o passado mas sabes que onde estás sentado todos chamam de futuro. E não passa de um espaço amplo onde largamos as nossas esperanças. Como um campo reparado para uma plantação cuidada de expectativas e virtudes, à espera de um olhar, uma atenção, que o faça florescer e crescer num silencio raro de vida.
Aguardas essa transformação com toda a impaciência imersa no ter pensamento.

No fim, esse futuro não é mais que um apontamento, e o percurso que trilhamos não passa de uma lembrança pois novas mudanças se avizinham e outro futuro curto nos espera. Tudo passa rápido ao nosso olhar. Tudo acontece em segundos, e em segundos já perdemos toda a memória.

O futuro caminha sempre ao nosso lado e por vezes dá-nos a sua mão. Nesse momento vivemos o Presente.

sábado, 2 de abril de 2011

a Loucura

O medo consome-te cada vez que vês uma sombra por perto. Cada vez que a tua luz se sente ameaçada por uma lenta aparição do vazio que se expõe à medida do que vês. O teu respirar contrai-se pela sede de não saber o que irá acontecer no momento seguinte, e quando de perto te apercebes que o vazio te consome, gritas.

Nesses segundos falta-te a voz e nada te ouve senão tu mesmo. No silencio ouves-te a pedir para continuares na luz que já se desvaneceu na tua visão. Cego e sem voz, sentes-te fluir na tua própria energia e alcanças o que muitos chamam de loucura. Um estado profundo em que a insanidade domina qualquer impulso fraco que surja no exterior do teu corpo. Mostras-te por detrás do que te escondes e surge um novo Tu.
Despido de preconceito ou qualquer conceito de moral, inteligência ou sentimento. Somente o que resta de alguém que nada vê, nada grita e nada ouve. Somente o que esperas num vazio tão pequeno quanto tu mesmo.

Num espaço indeterminado conheces-te como nunca.