Tentas olhar um espelho que não é teu. Pintar algo que não vês. Sentir algo que desconheces.
Observas um reflexo que não o teu, e tudo o que vês são memórias do que um dia sonhaste ter. Um vazio preenchido por algo que te enche de mudanças súbitas ao qual chamas de dia-a-dia. Mudanças que te fazem acordar para mais um dia tão vulgar como outro qualquer.
Vês te num espaço ocupado e sentes vontade de gritar o teu nome para que todos te reconheçam como nunca antes reconheceram. Um grito mudo, que pintas em volta de tudo o que te rodeia e num imenso silencio onde vagueias, se faz ouvir e te faz sair do teu pequeno grande mundo de ouro. A solidão que pensas viver, não passa duma máscara que usas sempre que o acordar corre mal e te faz pensar que cegas na altura de caminhar.
Mesmo que esse reflexo não seja o teu, ensina-te a seres como és e não como te vêem.
Os olhos não conhecem, lembram-te o que outrora conheces-te ou deste a conhecer.
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