Ansiando os sonhos, fechou os olhos e ouviu a melodia calma que corria pelo vento vindo de longe.
Tentou desvendar de onde vinha tal inspiração melódica mas, sem qualquer conclusão, perdeu-se no sabor meigo de cada uma daquelas palavras que surgiam docilmente no seu pensamento. Escutava cada nota sentindo algo palpitar dentro dele, antecipando o futuro do que parecia mais que uma simples melodia perdida pelo sopro do presente.
Materializava cada momento até que por fim caiu num sono profundo.
A melodia, essa, transformou-o em algo fisicamente nulo mas mentalmente imenso. Todo ele se tornara plano de fundo, de cor branca, onde o horizonte imergia sobre água translucida indefenindo o seu fim.
O bater de cada onda, recordava-lhe o calor das palavras que o vento outrora lhe dissera.
Criador do seu mundo, converteu-se em agua e imergiu nas ondas tentando encontrar de onde surgira tais palavras.
No fim, e perdido num sentimento de plena libertação e harmonia interior julgou-se um louco.
Só os loucos emergem em si próprios, pensou, imergindo cada vez mais perto do seu destino.
Imaginarmos um linha não é difícil, basta reflectir.
Imaginar-mo-nos nessa linha não é difícil, basta sonhar.
Sonhar não é difícil, basta sermos loucos..
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