.. e assim saudou os seus convidados, mostrando-lhes um dos seus maiores segredos, ele próprio.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

a Força interior

Cavaleiro toda a vida, carregou o seu elmo e a sua armadura de bronze, sentindo o peso em cada rumo que seguia,  conheceu cada canto do hemisfério. A sua espada, de dois gumes, escondida por detrás da sua bainha, jamais deteriorar-se-ia pois fora feita uma promessa. "Não a usarás em vão e jamais a deixarás deteriorar dentro da sua bainha..". Cada vez que o Cavaleiro erguia a sua espada sabia que faria o correcto, pois qualquer hesitação levaria-o a sofrer o resto da sua longa caminhada. Lembrava-se então de cada palavra  do seu mestre e erguia os dois gumes com toda a sua força interior, observando em cada gesto, cada um deles. No final, somente um estaria coberto do sangue derramado e revelaria então, se foi justamente manchado ou não.

O Cavaleiro conhecia o sentido de culpa que outrora se pesou nas suas costas. Era um fardo muito pesado para se tornar companhia durante toda a sua viagem. Pensou que cada acção teria que ser calculada e repensada para que nenhum dos passos a seguir  fosse o incorrecto. Assim se prendeu a algo que não o deixou seguir a intuição e aos poucos foi perdendo tudo. A sua alma estava a ficar vazia de tanto pensamento. Agia não por vontade ou por impulso de intuição mas sim pelo que considerava correcto e justo.

Após uma terrível batalha em que vira a sua vida quase perdida em mais um campo verde onde a Natureza se apresentava na sua forma mais bela, caiu no chão e chorou. Chorou pela pouca vontade de continuar a lutar por algo que já não percebia. Por algo que já não concordava. Viu-se num imenso espaço vazio onde a sua presença era quase insignificante. Então percebeu que o correcto não é agir através de planos estrategicamente vitoriosos, ou mesmo agir com a segurança que o inimigo não conseguia sequer alcança-lo. Após tanta segurança, tantos planos e estratégias ele estava ali, deitado a chorar por algo que já não conhecia.

Respirou fundo e levantou-se. Ergueu a cabeça ao imenso céu e disse, correcto foi a vontade de chorar. Correcto é o que não consigo controlar em mim, pois é a minha natureza. Correcto é este paraíso que pisamos.

1 comentário:

  1. Sem dúvida este será o texto, que nesta altura, mais me identifico... Como uma guerreira, choro sem perceber o que me faz lutar, só preciso de saber, de sentir qual será o meu verdadeiro caminho, a minha verdadeira decisão....nada tem sentido... ( Hoje sou eu que te digo)continua a escrever sem medo de te "exteriorizares".
    Bjs

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